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Projetos para Hub de Hidrogênio Verde no Ceará já somam US$ 18 bilhões de investimentos

O Hub de Hidrogênio Verde já garantiu, ao Ceará, investimentos estimados superiores a US$ 18 bilhões para os próximos anos, além de uma inédita dinamização de diversas cadeias produtivas, que deve durar por décadas e gerar mais de 8 mil empregos diretos e indiretos.

No total, o projeto, liderado pelo Governo do Estado, pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e pelo Complexo do Pecém (Cipp), já possui quatro parceiros de grande relevância comercial, que têm memorandos de entendimentos assinados com o grupo de trabalho para a instalação de plantas industriais que vão produzir o combustível limpo. Ontem, o acordo mais recente foi firmado, com a australiana Fortescue Future Industries Pty Ltd (FFI), líder global na indústria de minério de ferro, que vai investir US$ 6 bilhões no empreendimento.

Já haviam assinado contratos com o Governo do Estado as empresas Enegix Energy, também da Austrália (cujo investimento será de US$ 5,4 bilhões), Linde/White Martins e Qair Brasil, subsidiária do grupo francês Qair Internacional (que anunciou investimento total de US$ 6 bilhões em duas plantas industriais).

“O hidrogênio verde é um vetor energético muito demandado no mundo todo, e que precisa substancialmente de energia limpa, renovável e a preços competitivos, além é claro de um ambiente receptivo a investimentos. Tudo isso temos em abundância no Ceará”, diz Joaquim Rolim, coordenador do Núcleo de Energia da Fiec.

Em negociação

Mas as parcerias com companhias de alcance global não devem parar por aí. “Já temos pelo menos mais duas empresas com negociações encaminhadas, para a assinatura do contrato, e temos mais seis ou sete que já demonstraram interesse em participar do Hub de Hidrogênio Verde”, afirma Maia Júnior, titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet). “Tudo isso porque estamos olhando para o futuro. Não adianta enxergarmos a economia apenas dentro deste século, precisamos investir em desenvolvimento tecnológico e de pessoas em longo prazo, com uma economia mais inteligente, identificando as oportunidades, visando o próximo século”, projeta.

Empregos

A geração de empregos será um dos pontos fortes do projeto a ser desenvolvido pela Fortescue no Ceará. A planta para a produção de hidrogênio verde tem a previsão de produzir 15 milhões de toneladas de H2V até 2030, com a possibilidade de empregar 2.500 pessoas, durante a construção, e outras 800 quando a usina estiver operando. “Isso significa movimentar a economia do Estado e gerar empregos para os cearenses. Sem falar na contribuição para descarbonização do mundo”, avalia o governador Camilo Santana.

Os projetos já anunciados, dentro do Hub de Hidrogênio Verde, também darão grande impulso para o mercado de trabalho no Estado: o da Enegix Energy deve empregar pelo menos 2 mil pessoas durante a edificação do Base One (estimado como a maior planta industrial de produção de hidrogênio verde do mundo), e mais de 200 depois que a planta estiver em funcionamento. Já o projeto da Qair Brasil, que será composto pelo Complexo Eólico Marítimo Dragão do Mar e um parque de energia eólica offshore (dentro do mar), deve gerar pelo menos 2 mil empregos na construção das duas plantas e 600 empregos diretos quando ocorrer a plena operação dos projetos.

“Sempre enaltecemos o sol do Ceará e os nossos ventos. Agora, juntando tudo isso com a logística e a capacidade humana, teremos potencial para construir uma nova economia, graças ao Hub de Hidrogênio Verde”, observa Maia Júnior.

Localização estratégica do Estado contribuiu para as negociações

Contribuiu muito para as negociações com a Fortescue alguns dos aspectos estratégicos do Ceará, que além dos ventos abundantes – insumo fundamental para a produção do hidrogênio verde, por meio dos parques eólicos – está localizado, de navio, a nove dias da Europa, a oito dos Estados Unidos e a cinco da África. “O Ceará tem infraestrutura portuária e localização estratégica. Este acordo permitirá a transição energética do Brasil para a descarbonização”, disse Agustin Pichot, presidente da Fortescue para a América Latina.

A utilização do Porto do Pecém como ponto de exportação do hidrogênio verde é um ponto comum para todos os projetos já assinados dentro do hub. “Nossa visão é fazer do hidrogênio verde a commodity de energia mais comercializada globalmente no mundo. Queremos impulsionar o uso da energia verde e a indústria de produtos, aproveitando os recursos de energia renovável do mundo para produzir eletricidade verde”, afirma Julie Shuttleworth, CEO da Fortescue.

No projeto da Enegix Energy, anunciado em fevereiro deste ano, o Porto do Pecém aparece como peça fundamental. De acordo com a empresa, o planejamento é que os carregamentos com hidrogênio verde cheguem a todos os continentes. “Nossa produção em larga escala no Brasil vai permitir o transporte de hidrogênio verde a todos os maiores mercados do mundo. Nossa localização inclui oportunidades inigualáveis ​​para futuros aumentos de capacidade de energia renovável verde, como parte de nosso compromisso de garantir e transformar energia em hidrogênio exportável”, informa a Enegyx, projetando levar a energia limpa à América do Norte, à Europa, à África e até ao Sudoeste asiático, num intervalo de tempo que vai de oito a 36 dias.

 

Fonte: O Otimista

Publicado em 26/07/2021 11:17